Fui a praia de bicicleta!

    No dia 19/09 finalmente fui a praia de bicicleta. Há muito tempo sonhava em ir pedalando até a praia, entretanto sempre adiava tal empreitada. Treinei bastante nos últimos meses para ter um bom desempenho, sempre visando o litoral. Primeiramente bolei um plano de ir até a Praia de Leste em Pontal do Paraná e voltar pedalando para Curitiba no mesmo dia. Mas logo declinei de tal missão, pois julgo que ainda preciso de mais quilometragem na bicicleta para superar a barreira dos 200 Km. Consequentemente optei por voltar de carro, todavia tracei como meta ir pedalando até a praia brava de Guaratuba e de lá retornar de carro pela BR376.

    Sai às 5h30, ainda estava escuro quando cheguei a BR 277 (próximo a Coca Cola), meu maior receio era a presença de neblina, mas graças a Deus o tempo estava limpo. Optei por ir de bermuda e camiseta, o que em primeiro momento não se revelou uma boa ideia, pois estava bem frio. Empreendi um bom ritmo e logo estava cruzando o viaduto da Avenida Rui Barbosa. Ao chegar ao Contorno Leste, o dia começou a clarear, ainda estava um pouco frio, mas pela previsão do tempo a promessa era de um belo dia de sol. Depois de vencer a pequena subida até o pedágio da Ecovia fiz uma breve parada para me hidratar. Ainda não havia muitos ciclista na rodovia, entretanto vi alguns bravos retornando da serra, fiquei imaginando a hora que tais ciclistas saem de suas casas para pedalar. Retornei ao pedal e o sol já brilhava forte, o frio começou a diminuir e me preparei para vencer as últimas subidas antes da aguardada descida da serra do mar. Aumentei meu ritmo e em minutos já estava em área de Mata Atlântica e já pude ver as placas de trânsito avisando da proximidade da descida. 

    Fiz uma descida muito rápida, usando pneus 2.1 a segurança nas curvas é muito maior. Cruzei o Rio da Serra, Viaduto do Caruru e o tão famoso Viaduto dos Padres, nesse ponto da estrada a velocidade dos caminhões cai drasticamente e a atenção deve ser redobrada, pois muitos chegar até a invadir o acostamento. Quando cheguei no ponto em que há um retorno que da acesso a Estrada do Anhaia, repentinamente, o dia ensolarado desapareceu. Tudo ficou cinza e de repente dei de cara com um forte neblina, não era possível enxergar nada. Como uso óculos, minha visão foi mais prejudicada ainda. Fiquei com medo de ser atropelado, pois o trafego de caminhões era grande. Com muita dificuldade e bastante receio cheguei ao fim da descida da serra, posso dizer que foi um alívio sair daquela forte neblina. Mas a chegar ao viaduto que dá acesso ao município de Morretes a neblina ainda se fazia presente, não na mesma intensidade, deixando o dia cinzento. Com o fim da descida houve o início do trajeto plano, o que deixa o pedal um pouco monótono. Cruzei com alguns ciclistas indo em direção a Serra do Mar, espero que a neblina não tenha atrapalhado o passeio deles. Há poucos quilômetros do SAU que fica próximo a Alexandra Matinhos encontrei três ciclistas bem simpáticas, é muito legal encontrar pessoas apaixonadas pelo ciclismo. Logo cheguei ao SAU, fiz minha segunda parada.

Parada no SAU

    Aproveitei para ligar para minha mãe (ela fica muito preocupada) e para fazer minha primeira refeição do pedal. Após comer uma banana e beber muita água já estava pronto para continuar a aventura. Antes de voltar para a estrada fui até as instalações do SAU para encher minha garrafinha, encontrei as ciclistas fazendo o mesmo. Elas estavam muito animadas e me disseram que estavam indo para a Praia de Leste, desejei um bom pedal a todas e segui meu caminho. Passei o acesso a Alexandra Matinhos (decidi não usar essa estrada devido a ausência de acostamento) e rumei para a PR407. Após poucos minutos já estava pedalando forte na PR407, a proximidade da praia aumentava minha ansiedade e consequentemente a velocidade.

PR407 - O mar já estava próximo

    O dia continuava nublado, mas a temperatura estava ótima e o vento a favor. Encontrei muitos ciclistas, a maioria moradores da região. A cada momento o fluxo de veículos aumentava, muitos carros passavam levando bicicletas e pranchas de surfe. Logo cruzei a placa que avisa o limite de município entre Paranaguá e Pontal do Paraná, fiquei mais animado ainda e aumentei ainda mais a velocidade. Após cerca de 45 minutos finalmente, após tantos anos, cheguei a praia! Foi emocionante ver o mar e pensar que tinha chegado até ali pedalando.

Finalmente cheguei a praia!


Nova parada, mais água e banana. O dia ainda permanecia nublado, comecei a pedalar pela Avenida Atlântica admirando a beleza do mar. Ainda estava em Pontal do Paraná, mais precisamente no balneário de Monções. Em instantes já estava em Matinhos, há muitos anos não ia ao município citado, pude observar muitas mudanças. Já havia movimento na praia, muitos caminhando, correndo, passeando com seus cães e muitos ciclistas. Passei rapidamente pelo balneário Gaivotas, Caravella, Costa Azul, Guacyara, Currais, Jamail-Mar, Ipacaraí, Betaras, Solymar, Praia Grande e Riviera.






Ao chegar ao balneário de Riviera o calçadão simplesmente acaba, até mesmo a rua desaparece, dando lugar a pedras e areia, resultado de ressacas de anos anteriores. Como já tinha estudado a rota com antecedência, retornei para a Avenida Máximo Jamur. O movimento de carros era alto e o acostamento da PR412 simplesmente não existe, somado com a falta de educação dos motoristas o local é um perigo para transitar de bicicleta. Logo retornei para a Avenida Atlântica, estava na Praia Brava de Matinhos, a mudança na infraestrutura é impactante ao chegar em Caióba, surgem ciclovias sinalizadas (ainda há um espaço destinado a pedestres) e bem conservadas.




A praia mansa de Caiobá

A praia mansa de Caiobá estava linda, muitas pessoas se divertindo na areia. O sol estava forte e já podia avistar Guaratuba. A estrada que dá acesso ao Ferry Boat é outro ponto que requer atenção redobrada do ciclista, trechos sinuosos sem acostamento e muitos motoristas transitando em alta velocidade. Passei pelas cabines de pagamento e fiquei feliz em não precisar pagar.

PR412, trecho que da acesso ao Ferry Boat


Ao chegar ao ponto de embarque uma balsa tinha acabado de sair, mas a próxima já estava chegando. Não sei o porquê os funcionários da empresa responsável pelo Ferry Boat são tão grosseiros, prestam um serviço de qualidade questionável e convenhamos que o valor pago pelos motoristas não é nada barato, e mesmo assim já presenciei a estupidez direcionada aos turistas por parte dos colaboradores dessa empresa. Não há sinalização nenhuma para pedestres e ciclistas, após os carros desembarcarem é cada um por si, um funil de caminhões, carros, motos, bicicletas e pedestres, uma balbúrdia completa. Consegui ficar em um ponto "destinado" a bicicletas e motos, logo a balsa começou a travessia, a paisagem é de tirar o fôlego, mas espero que um dia moradores e turistas possam contar com uma ponte, pois depender de um serviço do século passado e tão depredado é muito triste. Em menos de 15 minutos a travessia teve seu término, no momento da saída outro pandemônio, pedestres e ciclistas disputando espaço com veículos automotores.




Assim que desembarquei me dirigi a Praça dos Namorados, mas logo fui avisado por um funcionário da prefeitura que o local estava interditado para visitação. O município de Guaratuba adotou medidas rígidas ao combate do Covid 19, pontos turísticos e toda a orla estavam interditados. Decidi finalizar meu pedal passeando pela Avenida Atlântica até o Morro do Cristo, foi estranho ver a praia vazia em um final de semana ensolarado.



Minha aventura chegou ao fim na Praia Brava de Guaratuba, foi indescritível e emocionante ir ao litoral pedalando.

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